A disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina em 2026 apresenta um dado que chama atenção: mais da metade dos candidatos que estarão nas urnas em 4 de outubro jamais exerceu um mandato conquistado pelo voto popular. Dos 404 postulantes à Alesc, 229, o que corresponde a 56%, nunca foram eleitos para cargos no Legislativo ou Executivo municipal, estadual ou federal.
O cenário mostra uma eleição que coloca lado a lado estreantes em cargos eletivos e políticos com experiência acumulada em câmaras municipais, prefeituras e na própria Assembleia Legislativa.
É importante destacar que nunca ter sido eleito não significa necessariamente ausência de experiência no poder público. É preciso levar em conta passagens por secretarias municipais ou estaduais, autarquias, fundações, assessorias legislativas e outras funções públicas, como experiência nata em gestão pública.
Um dos caminhos tradicionais para chegar à Assembleia continua sendo a Câmara de Vereadores. Neste ano, 40 vereadores titulares de 20 municípios catarinenses concorrem à Assembleia. Florianópolis lidera, com sete vereadores candidatos, seguida por Joinville, com cinco. Também há representantes de municípios como Balneário Camboriú, Chapecó, São José, Itajaí, Blumenau, Sombrio e outros municípios. No caso de Sombrio, o vereador em voga é Juciumar Custódio, o Bujão (PSDB).
A passagem da vereança para a Assembleia é um movimento recorrente na política catarinense, principalmente nos maiores municípios, onde os parlamentares dispõem de bases eleitorais mais amplas. Em 2022, por exemplo, dois vereadores, de Blumenau e Florianópolis, conseguiram transformar seus mandatos municipais em vagas no Legislativo estadual.
Outro grupo expressivo é formado por políticos com experiência no comando das prefeituras. Considerando inclusive deputados estaduais que já administraram municípios, 42 candidatos desta eleição já foram prefeitos. Seis estavam exercendo o cargo e renunciaram no início de 2026 para poder disputar o pleito estadual, a exemplo do ex-prefeito de Balneário Arroio do Silva, Evandro Scaini (PP).
Há ainda três vice-prefeitos atualmente no exercício do mandato concorrendo à Assembleia. Diferentemente dos prefeitos, eles não precisam necessariamente renunciar para disputar uma vaga de deputado, mas, caso sejam eleitos, terão de optar por um dos cargos.
A experiência dentro da própria Alesc também terá peso na eleição. Dos 404 candidatos, 33 deputados estaduais buscam a reeleição, como é o caso de Tiago Zilli (MDB), seis a mais do que em 2022. Outros 13 ex-deputados tentam retornar à Assembleia. Além deles, cinco candidatos exerceram mandato temporariamente como suplentes durante a atual legislatura.
Entre as profissões declaradas à Justiça Eleitoral, os empresários formam o maior grupo, com 71 candidatos. Os advogados aparecem em segundo lugar, com 48 concorrentes.
A fotografia da eleição catarinense revela, portanto, dois movimentos. De um lado, 229 candidatos que nunca conquistaram um mandato pelo voto e representam 56% dos nomes apresentados ao eleitor. Do outro, políticos que chegam à disputa carregando experiência como vereadores, prefeitos, vice-prefeitos ou deputados.
As urnas de 4 de outubro mostrarão qual será o peso de cada grupo na próxima legislatura. Mais do que escolher entre nomes e partidos, o eleitor definirá também quanto espaço haverá para novos representantes e quanto permanecerá nas mãos de políticos que já passaram pelo teste das urnas.
Finais
Nova pesquisa Quaest divulgada ontem aponta o presidente Lula da Silva (PT) na liderança do primeiro turno da eleição presidencial, com 39% das intenções de voto, contra 34% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 4% cada, seguidos por Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 1%. Brancos, nulos e os que não votariam somam 10%, e 5% estão indecisos. Na rodada anterior, Lula tinha 37% e Flávio, 33%. Na comparação, Lula oscilou dois pontos para cima, Flávio avançou um, e, com isto, a distância entre os dois passou de quatro para cinco pontos na reta final antes da votação.
No que diz respeito ao segundo turno, a Quaest aponta empate técnico e numérico entre Lula e Flávio, com cada um dos dois registrando 42% das intenções de votos. Na rodada anterior, Flávio tinha 42% e Lula, 41%, o que demonstra um leve cresciento do presidente. Brancos, nulos e os que não votariam representam na atual pesquisa 13%, enquanto 3% estão indecisos. Foram entrevistados presencialmente 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Contratado pelo Grupo Globo, o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06520/2026.




