A Câmara dos Deputados que assumirá em fevereiro de 2027 terá um perfil predominantemente masculino, de direita e com idade mediana de 49 anos. Os resultados das eleições de outubro revelam um Legislativo marcado pela elevada escolaridade de seus integrantes e pela concentração de cadeiras em partidos conservadores. A composição dos 513 parlamentares permite compreender não apenas a distribuição das forças políticas, mas também as características de quem participará das principais decisões nacionais nos próximos quatro anos.
A predominância da direita é o dado mais expressivo. Dos 513 deputados eleitos, 303 pertencem a partidos identificados com esse campo político, o equivalente a 59% das cadeiras. A esquerda conquistou 124 vagas, representando 24%, enquanto o centro assegurou 86, correspondentes a 17%. Essa distribuição demonstra uma vantagem numérica expressiva das legendas conservadoras, embora não signifique necessariamente unidade de pensamento ou de votação entre seus integrantes. As diferenças internas e os interesses regionais continuarão influenciando as negociações parlamentares.
O campo da direita reúne PL, União Brasil, Progressistas, Republicanos, Podemos, PSDB, Novo, PRD e Missão. No centro estão PSD, MDB, Avante e Solidariedade, enquanto PT, PSB, PSOL, PCdoB, PV, PDT e Rede compõem a esquerda. Individualmente, o PL desponta como a maior força partidária da futura Câmara, com 121 deputados. Entretanto, a formação de maiorias dependerá da articulação entre diferentes siglas, mesmo entre aquelas situadas no mesmo campo ideológico.
A presença masculina também continuará amplamente majoritária. Foram eleitos 404 homens, que ocuparão 79% das cadeiras, diante de 109 mulheres, equivalentes a 21%. Entre as parlamentares estão três deputadas transexuais, cuja representação corresponde a menos de 1% da composição total da Câmara. Embora a participação feminina tenha avançado, a distância entre homens e mulheres permanece considerável, especialmente quando comparada à distribuição da população brasileira. O resultado demonstra que o crescimento da presença feminina na política ainda não foi suficiente para produzir uma representação proporcional.
A escolaridade apresenta um cenário bastante diferente. Nada menos que 421 deputados, ou 82% dos eleitos, declararam possuir ensino superior completo. Outros 40, correspondentes a 8%, frequentaram a universidade, mas não concluíram a graduação. Entre os demais, 36 possuem ensino médio completo, representando 7%, enquanto oito concluíram o ensino fundamental, aproximadamente 2%. Há ainda cinco parlamentares com ensino fundamental incompleto e três com ensino médio incompleto, grupos que representam, individualmente, menos de 1% da composição. Os dados foram extraídos das informações prestadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral.
A idade mediana dos eleitos é de 49 anos, indicando uma Câmara composta por parlamentares de diferentes gerações, muitos deles com trajetórias profissionais consolidadas. Empresários, advogados, médicos, servidores públicos e representantes de outras atividades estarão presentes no Legislativo. A combinação entre experiência profissional e formação universitária, entretanto, não assegura, por si só, maior eficiência parlamentar. A capacidade de negociar, construir consensos e transformar propostas em resultados continuará sendo determinante para o desempenho dos deputados.
O retrato final é o de uma Câmara predominantemente masculina, de meia-idade, com elevado grau de escolarização e uma direita numericamente fortalecida pelas urnas. A vantagem conservadora, entretanto, não eliminará a necessidade de entendimentos entre partidos e bancadas. A partir de fevereiro de 2027, o desafio estará em transformar a força eleitoral em capacidade de governança, especialmente nas decisões relacionadas ao orçamento federal, à infraestrutura, à saúde, à educação e ao desenvolvimento econômico. Afinal, conquistar a maioria das cadeiras não significa, necessariamente, possuir maioria automática em todas as votações.
FINAIS
Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, a predominância da direita será ainda mais acentuada. Dos 40 deputados eleitos, 26 pertencem a partidos desse campo político, representando 65% das cadeiras, enquanto centro e esquerda terão sete parlamentares cada, aproximadamente 18% para cada grupo. O PL será a maior bancada, com 16 representantes. A presença masculina também será expressiva, com 35 homens e apenas cinco mulheres, equivalentes a 13% das vagas. A idade média dos eleitos é de 51 anos, enquanto 35 parlamentares, ou 88%, declararam ensino superior completo. O resultado apresenta uma Assembleia majoritariamente conservadora, masculina e universitária, na qual a predominância numérica da direita deverá influenciar a formação de maiorias e as negociações em torno dos projetos encaminhados ao Legislativo estadual.
No Senado Federal, a renovação de 54 cadeiras nas eleições de outubro também produzirá mudanças significativas na composição da Casa, que continuará reunindo 81 parlamentares em 2027. Considerando a distribuição partidária utilizada no levantamento, a direita ocupará 52 cadeiras, diante de 16 da esquerda e 12 do centro, permanecendo uma vaga sem classificação nesse enquadramento. O PL terá a maior bancada, com 28 senadores. Entre os eleitos neste ano estão 12 mulheres, enquanto a representação feminina total poderá alcançar 18 integrantes, equivalentes a 22% do Senado, considerados os mandatos que prosseguirão até 2031 e as suplentes em exercício. Entre os 54 eleitos, a idade mediana é de 56,5 anos, e 87% declararam possuir ensino superior completo. Esses indicadores de idade e escolaridade dizem respeito exclusivamente aos novos eleitos, não à totalidade dos 81 senadores. A configuração resultante reforçará a presença da direita no Congresso Nacional, embora a aprovação de propostas continue dependendo de articulações políticas entre diferentes bancadas.




