Naquela quinta-feira (27/2) ensolarada, enquanto a brisa marítima acariciava a praia da Lagoinha, em Balneário Gaivota, o radialista Gilmar Francisco Nitschke, o Peninha, gravava suas últimas palavras. Um testamento filosófico, onde o tempo, implacável senhor das memórias, era o protagonista.
Caminhando em direção ao mar, Peninha, 67 anos, refletia sobre o esquecimento, esse curioso artifício da mente que tanto o intrigava. “Engraçado, né?”, indagava, com a voz embargada pela sabedoria dos anos, “largo uma coisa num lugar e esqueço onde larguei”.
Mas a aparente fragilidade da memória era, para Peninha, uma dádiva. O esquecimento como bálsamo, capaz de amenizar as dores do passado, as sementes ruins que todos, em algum momento, plantam na terra da vida. “O esquecimento faz a gente esquecer muita coisa”, ponderava, “e mesmo que a gente sofra de esquecimento, é preciso lembrar que temos que olhar sempre pra frente”.
Horas depois, Peninha silenciaria para sempre, vítima de um crime brutal. Mas sua voz, eternizada em um vídeo que ecoa como um epitáfio, permanece viva. As palavras de um homem que, à beira-mar, encontrou na efemeridade da memória a chave para a transcendência. Peninha, o radialista que narrou os jogos da vida, jamais será esquecido.
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