A bebê recém-nascida encontrada dentro de uma sacola de lixo em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, está estável no Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba. De acordo com o hospital, a menina chegou à unidade, por volta das 4h, com hipotermia grave e duas fraturas – uma de clavícula e outra de fêmur, que podem ter sido causadas durante o parto. O encaminhamento ao hospital foi feito por uma equipe do Samu.
A criança foi encontrada na madrugada de segunda-feira (24) por Kátia Andreia Beje, no bairro Guarituba. A mulher contou que ouviu um barulho e pensou que fosse um gato ferido. A mãe da criança, uma adolescente de 16 anos, que alegou ter sido vítima de abuso sexual e não saber que estava grávida, foi identificada pela Polícia Civil (PC-PR). A bebê nasceu com 40 semanas de gestação e pesou 2,770 kg.
Ainda de acordo com o Hospital de Clínicas, a recém-nascida segue sendo avaliada e passa por exames complementares para investigar eventuais complicações decorrentes do parto.
Como a bebê foi encontrada
Kátia relatou que ouviu algo que parecia ser de um animal filhote e, como tem vários gatos, achou que podia ser um deles. “Achei que era um gato machucado […] Fechei a casa e saí para ver onde estava o barulho. Não tinha como identificar que era uma criança”, disse.
Foi quando ela encontrou uma sacola transparente coberta por uma toalha preta. Ao tocar no saco, percebeu que havia uma bebê dentro. Segundo Kátia, a bebê estava muito suja e ainda tinha o cordão umbilical e a placenta. Em seguida, a mulher pediu ajuda a um vizinho e acionou o Samu, que levou a bebê para o hospital.
“Ela disse que teria sido vítima de um estupro há alguns meses, até que, na madrugada de hoje, ela teve esse parto. Ela alegou que não sabia da gravidez e teria também se surpreendido. Nesse desespero de realmente estar grávida, achou que a criança estivesse morta. […] Segundo o alegado, teria escondido dos pais, alegou que fez tudo sozinha, sem ajuda de ninguém, e deixou a criança ali, acreditando estar morta”, detalhou o delegado responsável pelas investigações, João Paulo de Souza.
Outras testemunhas serão ouvidas pela Polícia, que aguarda os laudos da criminalística. A depender do resultado das investigações, a adolescente pode responder por ato infracional análogo ao crime de infanticídio tentado.




