A política brasileira perdeu uma de suas vozes mais coerentes, firmes e históricas com o falecimento de Manoel Dias, ocorrido na noite do último sábado, 22, aos 88 anos, em Florianópolis. Ex-ministro do Trabalho e Emprego, entre 2013 e 2015, e cofundador do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Manoel Dias, deixa um legado indelével marcado pela defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores, pela resistência democrática e pela construção de um projeto de Brasil, do ponto de vista dele, verdadeiramente soberano e popular.
Nascido em Içara, aqui no Sul do Estado, o ex-ministro iniciou sua longa e honrosa vida pública em 1962, quando foi eleito vereador pelo extinto Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). No entanto, sua trajetória político-partidária se cruzou diretamente com um dos capítulos mais dramáticos e sombrios da história recente do país. Com o golpe civil-militar de 1964, Manoel Dias enfrentou a violência e a perseguição do Estado autoritário, teve seu mandato cassado, foi preso e permaneceu privado de liberdade por onze meses. Anos mais tarde, após o endurecimento do regime com o AI-5, teve novamente seu mandato, agora de deputado estadual, também cassado e seus os direitos políticos suspensos por uma década inteira. Mesmo diante das adversidades, torturas institucionais e do exílio de companheiros, jamais recuou em suas convicções ideológicas.
A virada dos anos 1980, e as primeiras movimentação pela volta da democracia, Manoel Dias se aliou ao ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, e de outras figuras exponenciais da resistência democrática, ajudando a fundar o PDT. Sua lealdade inegociável aos princípios trabalhistas o transformou não apenas em um dirigente partidário exemplar, presidindo a sigla em Santa Catarina e em nível nacional. Diferente de vertentes que se curvaram ao pragmatismo tecnocrático ou a arranjos de gabinete, Manoel Dias representou aquela corrente raiz que jamais dissociou a justiça social da soberania nacional, mantendo um discurso inegociável em favor das classes desfavorecidas.
A proximidade de Manoel Dias com Leonel Brizola era tão grande, que, em 1983, ele assumiu a presidência do Banco do Estado do Rio de Janeiro, o Banerj, durante a gestão governamental do líder maior do PDT no Estado flunimense. Em 1989 e 1994 participou da coordenação nacional das campanhas de Brizola à Presidência da República.
Finais
Manoel Dias era casado com Dalva Maria de Luca, irmã do ex-deputado federal Valmor de Luca (MDB), já falecido, que, por sua vez, era casado com a ex-deputada estadual Ada Faraco de Luca (MDB). Ada foi Chefe de Gabinete do ex-deputado federal Ulysses Guimarães, uma das principais vozes da recondução do Brasil ao sistema democrático, nos anos de 1980, e timoneiro da Constituição de 1988. Observa-se por aí a importância histórica que tanto Manoel Dias, quanto aqueles a quem ele estava próximo, tiveram para o Brasil.
Manoel Dias nasceu em Içara, mas sua família paterna era toda do atual distrito de Hercílio Luz, em Araranguá, mas especificamente das localidades de Ilhas e Cangicas. Ele, por sua vez, é sobrinho de Manoel Fortunato Dias, cuja filha, Ambrozina Dias, a Ziza, ainda adolescente, se mudou para Sombrio. Ziza se casou com Arlindo Cunha, e ambos conceberam, dentre outros, Gislaine Dias da Cunha, a atual prefeita de Sombrio. Gislaine e Manoel Dias, portanto, são primos em segundo grau.




