A Justiça Eleitoral de Santa Catarina negou, em caráter liminar, um pedido protocolado pelo vereador de Florianópolis, Leonel Camasão (Psol), para proibir a utilização da frase “Meu voto é casado” por parte deputada federal Julia Zanatta, do PL de Criciúma, e por seu marido, o advogado Guilherme Colombo (PL). A solicitação de medida cautelar por parte de Camasão apontava suposta irregularidade por propaganda extemporânea, mas o entendimento inicial da Corte foi favorável ao casal.
A relatora do caso, desembargadora eleitoral substituta Luiza Cesar Portella, avaliou que o lema empregado pelos pré-candidatos não caracteriza solicitação explícita de voto. No entendimento da magistrada, a expressão funciona atualmente como um recurso de marketing político voltado a evidenciar a aliança entre os postulantes aos cargos de deputado federal e estadual, prática respaldada pelas normas vigentes para o período que antecede o início oficial da disputa nas urnas.
A peça acusatória apresentada pelo vereador argumentava que postagens em plataformas digitais e a confecção de material impresso com a imagem conjunta da dupla estariam configurando propaganda eleitoral antecipada. Camasão requeria a remoção imediata dos conteúdos da internet, a apreensão de panfletos e a imposição de sanções pecuniárias.
Após o posicionamento da Justiça, Júlia Zanatta utilizou canais digitais para celebrar o desfecho provisório e direcionar críticas ao Psol. A investigação principal segue em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral, onde o mérito da acusação ainda será apreciado de forma definitiva após a manifestação formal da defesa e do Ministério Público Eleitoral. Por enquanto, no entanto, Júlia Zanatta e Guilherme Colombo poderão continuar dando publicidade a dobradinha que compuseram para disputar as eleições deste ano, com ela buscando à reeleição e ele uma vaga na Assembleia Legislativa.
Finais
Vida do Republicanos em Santa Catarina não será das mais fáceis neste ano eleitoral. O partido já havia deliberado, em nível nacional, não apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Agora, o presidente da Câmara dos Deputado, Hugo Motta (PB), um dos principais líderes da legenda no país, manifestou apoio publicamente à candidatura à reeleição do presidente Lula da Silva (PT). Ou seja, Hugo Motta vai aparecer na propaganda eleitoral do PT dizendo que vota em Lula, além de excursionar pelo Nordeste na caravana do presidente. Já em Santa Catarina, o Republicanos é o aliado mais confiável do governador Jorginho Mello (PL), que, por sua vez, apoia Flávio Bolsonaro. Só para se ter uma ideia, o irmão de Jorginho Mello, José Agustinho Mello, o Juca Mello, é o vice-presidente estadual do parido. Mas, a saia justa do governador não irá se resumir apenas ao Republicanos. O Novo, de seu candidato a vice, Adriano Silva, também tem candidato a presidente, a exemplo do Democracia Cristã e do Avante, que estão com Jorginho no Estado mas farão campanha para seus respectivos candidatos à Presidência, contra os interesses de Flávio Bolsonaro.
O PL catarinense jura de pés juntos que saltará de seis para oito deputados na Câmara Federal neste ano. Argumenta que, se diante de um cenário fragmentado, como foi o pleito de 2022, o partido já conquistou as aludidas seis cadeiras, não teria como, então, deixar de eleger oito deputados federais em 2026, ainda mais que agora tem o Governo do Estado nas mãos. O MDB, por sua vez, diz que manterá suas três cadeiras de forma natural, por conta da sólida base do partido. A esquerda, que chorou as pitangas por ter deixado de eleger um terceiro deputado por meia dúzia de votos em 2022, diz que este ano este quantitativo será alcançado a qualquer custo. A federação União Progressistas também já sentenciou que elegerá dois federais, mesmo cenário vislumbrado pelo Republicanos e ainda pelo PSD. O Novo diz que o deputado Gilson Marques só está esperando abrir as urnas para comemorar a reeleição, e o Podemos diz que a deputada estadual Paulinha Silva já está eleita deputada federal. Isto sem falar nas pretensões das demais legendas. Só aí já temos 22 deputados federais eleitos por Santa Catarina. Problema é que só há 16 vagas para o Estado na Câmara Federal.




